Tainara, vítima do machismo covarde que mata e tem certeza da impunidade
O Natal deveria ser tempo de esperança, mas em 2025 foi marcado por uma notícia que escancara a brutalidade da nossa sociedade: a morte da mulher atropelada e arrastada por um quilômetro em São Paulo, após 25 dias de luta pela vida. Mesmo mutilada, ela ainda conseguiu dizer: “vai ficar tudo bem”. Essa frase, carregada de dignidade e coragem, tornou-se símbolo de todas as mulheres que resistem diariamente à violência, mas que muitas vezes não sobrevivem.
O feminicídio no Brasil não é exceção, é rotina. Mulheres seguem tratadas como alvos de caça, abatidas por homens que confundem poder com posse. A cultura da violência, alimentada pelo machismo estrutural, transforma lares em campos de batalha e ruas em cenários de horror.
A cada caso, a sociedade se choca, mas permanece anestesiada. A indústria da violência, legitimada por discursos armamentistas e pela indiferença institucional, é mais poderosa do que a preservação da vida. E enquanto isso, milhares de brasileiras continuam morrendo.
Este editorial não é apenas denúncia, é chamado à ação. Todas as mulheres, uni-vos. A luta contra o feminicídio precisa ser coletiva, precisa atravessar partidos, religiões e ideologias. Não há neutralidade diante da matança indiscriminada.
O Natal de 2025 ficará marcado pela ausência de uma vida que deveria estar celebrando, não sendo lembrada como estatística. Que sua frase final — “vai ficar tudo bem” — dita após ter sido arrastada por 1 km e ver suas pernas decepadas, e toda ensanguentada, não seja apenas memória, mas compromisso de uma sociedade que precisa escolher entre a barbárie e a vida.


